27 de dezembro de 2015 Comments

Casal brasileiro tem canal no YouTube para ensinar receitas em Libras

Débora Claudio Dable e Felipe Dable, de Curitiba (PR), lançaram uma iniciativa no YouTube em que ensinam diversas receitas usando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Batizado de Chef Cenoura, mesmo nome do blog, o canal já conta com sete vídeos que trazem a proposta de uma cozinha inclusiva.
 
É Débora quem interpreta as receitas em sinais, utilizados na comunicação de surdos e mudos. “Na minha família, sempre falamos em português e Libras ao mesmo tempo, porque minha irmã mais velha é surda profunda”, disse Débora ao jornal Gazeta do Povo.

Confira os vídeos abaixo e visite o canal!

 
 
 
 
 
 
25 de dezembro de 2015 Comments

Papai Noel aprende Libras para atender crianças surdas em São José

Por Nicole Melhado
Do G1 Vale do Paraíba e Região
 
Mais de 20 crianças com deficiência auditiva fizeram seus pedidos ao Noel. Por meio da língua de sinais eles conseguiram se comunicar.
 
Ricardo Dourado, de 7 anos, pediu um relógio ao Papai Noel se comunicando na língua de sinais. (Foto: Nicole Melhado/ G1)
Empenhado em receber os pedidos das crianças, um Papai Noel de São José dos Campos, no interior de São Paulo, decidiu aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para se comunicar com deficientes auditivos. Às vésperas do Natal, um grupo de mais de 20 crianças e adolescentes atendidos pela Associação de Apoio ao Deficiente Auditivo (AADA) puderam conversar, pela primeira vez, com um Papai Noel em libras.

Aos seis anos, a menina Ana Beatriz começa a aprender a língua de sinais. Toda a comunicação em sinais ainda é novidade. Ela ficou ansiosa e curiosa ao encontrar o bom velhinho. “Ela ficou surpresa porque ela não sabia que o Papai Noel falava em libras. É um incentivo a mais para ela apreender”, afirmou a mãe Edna Maria Silva.
 
Papai Noel aprendeu libras para falar com
crianças surdas (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
A iniciativa do Papai Noel, José Mario de Santos, de 66 anos, surgiu depois que ele atendeu, no ano passado, uma criança surda e  se sentiu mal por não conseguir se comunicar por ela.
 
"Daquele dia decidi que tinha que me empenhar para aprender libras, para poder atender a todos. Não foi fácil, mas poder me comunicar com essas crianças hoje foi muito gratificante. Elas me deixaram mais feliz do que possivelmente eu a elas", disse emocionado.
 
 
Ele atua pelo segundo ano em um shopping da zona sul de São José. O encontro entre ele e as crianças com deficiência auditiva foi promovido pelo centro de compras na tarde desta segunda-feira (21).
 
Ao conseguir se comunicar com o Papai Noel por meio dos sinais, o menino Ricardo Dourado, de 7 anos, não teve dúvidas de que aquele era o bom velhinho de verdade. Ele pediu um relógio do seu personagem de desenho favorito. Em libras, o Papai Noel perguntou “é muito caro?”. Ricardo respondeu que pediria a mãe o dinheiro para que seu presente pudesse ser comprado.

Iniciativa
A presidente da associação, que atende deficientes auditivos em São José, Silvana Trigo, conta que essas crianças levadas ao encontro estão acostumadas a enfrentar dificuldades porque poucas pessoas sabem a língua de sinais.
 
Papai Noel ficou feliz em poder se comunicar com
crianças surdas (Foto: Reprodução/ TV Vanguarda)
 
“Elas, como qualquer criança, mantém a fantasia e esperam seus presentes na noite de Natal. Ter um Papai Noel que sabe libras foi com certeza uma grande surpresa para elas”, disse Silvana.

Diego dos Santos, de 19 anos, assume que já está grandinho, mas mesmo assim quis conhecer o Papai Noel que sabe a língua dos surdos. “Quando vou a um lugar, por exemplo em uma loja, preciso escrever em um papel o que eu quero comprar. Gostaria que mais pessoas falassem em libras”, disse. Ele apreendeu libras há apenas quatro anos apreendeu a libras e hoje é professor.

Para quem quer apreender libras, a intérprete Marta Filomena de Paiva dá a dica. "Não basta apreender em sala de aula, é preciso perder o medo, a timidez  e procurar outros surdos para se comunicar. Como em qualquer idioma é preciso aprender na prática e a gente aprende muito com eles”, afirmou.
 
Fonte: G1
22 de novembro de 2015 Comments

CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA JOÃO PEDRO DE SOUZA ROSA - PETRÓPOLIS/RJ

No último dia 11 de novembro de 2015, Petrópolis - RJ, ganhou o segundo Centro de Referência de Educação Inclusiva do Estado, e o primeiro da história do município. Indicação nº2988/13, de autoria da vereadora Gilda Beatriz, o CREI João Pedro de Souza Rosa localizado na Avenida Koeler, nº 87 – Centro.
 
No local serão realizadas ações de avaliação, acompanhamento e intervenção nos processos de ensino e aprendizagem das unidades escolares do município que atendem em sistema de inclusão. Contempla ainda oficinas de artesanato, além da realização de atividades como forma de expressão pessoal, comunicação e incentivo ao trabalho em equipe. 
 
O Centro deverá oferecer um serviço especializado de qualidade aos alunos com necessidades educacionais especiais matriculados na rede municipal de ensino. No local, haverá espaços para oficinas, atendimento educacional especializado, produção de materiais, desporto adaptado, encontro com pais e responsáveis, cursos profissionalizantes e formação continuada de professores. A vereadora estará acompanhando e fiscalizando as atividades que o Centro se propõe a oferecer. Ela diz não poder mensurar a alegria com esta conquista, uma vez que vem de encontro ao sonho de tantas outras mães, como ela, além do fato concreto da experiência vivida a frente do Projeto Eficientes.
 
 

 
 

 
 Fonte: Vereadora Gilda Beatriz
21 de novembro de 2015 Comments

DÁ UM TEMPO PRA FALAR DE TEMPO - GRUPO CORPO TÁTIL

Hoje, 21 de novembro, no Teatro Mário Lago, em Saquarema, às 20h, tem apresentação do grupo Corpo Tátil com a peça "Dá um tempo pra falar de tempo".
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (Meia) - os ingressos poderão ser adquiridos antecipadamente através do nosso e-mail corpotatil@gmail.com ou pelo telefone 21 9 67807508
 
 
 
Agenda de apresentações do grupo:
 
  • 24 de novembro de 2015
Teatro Benjamin Constant as 13:30h (localizado dentro do instituto Benjamin Constant)
Ingressos: Entrada franca
  • 1 de dezembro de 2015
Itatiaia (local a confirmar)

Ingressos: Entrada Franca
 
Confira, abaixo, algumas fotos do ensaio:
 













 
 
Fonte: Corpo Tátil
2 de novembro de 2015 Comments

Pessoas com deficiência podem tirar CNH em Petrópolis - lei 7.128/2013

Desde o início do mandato, Gilda Beatriz, resolveu enfrentar e modificar uma situação vergonhosa para nossa cidade: pessoas com deficiência não conseguiam realizar provas práticas de trânsito, para obtenção de habilitação, em autoescolas do município.

A Lei nº 7.128/2013, é de autoria dela. Agora é realidade, pessoas com deficiência podem obter carteira de habilitação em Petrópolis! Essa Lei trouxe mudanças significativas para a efetivação do serviço. Na verdade, todo esse processo levou as pessoas com deficiência em Petrópolis à duas conquistas: além das aulas práticas de direção, também serão realizadas as provas do Detran aqui, que até então não aconteciam.
 
30 de outubro de 2015 Comments

"Dá um tempo pra falar de tempo" - peça teatral com audiodescrição e Libras

Um evento que você não pode perder!!!
 
A Peça "Dá um tempo pra falar de tempo" estreia dia 07 de Novembro no Teatro do Liceu, e contará com audiodescrição e libras para ninguém ficar de fora dessa .
 
Nesta comédia romântica, Jorge, um rapaz deficiente visual se envolve com Clarissa, uma jovem que enxerga. Ao longo da peça o público acompanha a trajetória deste casal e reflete sobre o tempo. A peça une texto, músicas, poesias e relatos verídicos de deficientes visuais para fala...r de dois assuntos bastante atuais: deficiência e tempo. Uma peça para todas as idades, em qualquer tempo.
 
O trabalho está incrível e os ingressos têm valores super acessíveis : Inteira R$ 20,00 e a Meia R$ 10,00.
 
 
Não perca tempo e acesse a página do Grupo Corpo Tátil para maiores informações: https://www.facebook.com/grupocorpotatil
25 de outubro de 2015 Comments

Alguma vez pensou como Deus escolhe as mães das crianças especiais?

Ao visitar o blog A Mãe da Maria li e emocionei-me com o texto que partilho com vocês! 
 
 
“Alguma vez pensou como Deus escolhe as mães das crianças especiais?
 
Eu já… Uma vez vi Deus a pairar sobre a Terra, selecionando o seu instrumento de propagação com grande carinho (…). Enquanto observava, instruía os seus Anjos a tomarem nota num grande livro:
 
– Para a Beth, um menino. Anjo da Guarda, Matheus.
 
– Para a Miriam, uma menina. Anjo da Guarda, Cecília.
 
– Para a Regina, gêmeos. Anjo da Guarda Geraldo, ele já está habituado. Finalmente, Ele passa um nome para o Anjo, sorri e diz:
 
– Dê a esta mãe uma criança deficiente. O Anjo, cheio de curiosidade, pergunta:
 
– Porquê ela, Senhor? Ela é tão alegre!
 
– Exatamente por isso, diz Ele. Como poderia eu dar uma criança a uma mãe que não sabe o valor de um sorriso? Seria cruel…
 
– Mas será que ela vai ter paciência?
 
– Eu não quero que ela tenha muita paciência – disse Deus – porque aí ela irá afogar-se no mar da autopiedade e desespero. Logo que o choque e o ressentimento passem, ela saberá como conduzir a situação. Eu hoje estive a observá-la. Ela tem aquele forte sentimento de independência. O Anjo retorquiu:
 
– Mas ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não será fácil. Além do mais, Senhor, acho que ela nem acredita na Sua existência. Deus sorri, e diz:
 
– Não tem importância. Eu posso dar um “toque” nisso. Ela é perfeita. Possui o egoísmo no ponto certo. O Anjo engasgou-se:
 
– Egoísmo? E isso é, por acaso, virtude? Deus, acenou que sim e acrescentou:
 
– Se ela não conseguir separar-se da criança de vez em quando, ela não sobreviverá. Sim, esta é uma mulher que abençoarei com uma criança menos perfeita. Ela ainda não faz idéia, mas será, também, muito invejada. Ela nunca irá admitir uma palavra não dita, nunca considerará um passo como uma coisa comum. Quando a sua criança disser “mãe” pela primeira vez, ela pressentirá que está a presenciar um milagre. Quando ela descrever uma árvore com um pôr-do-sol para o seu filho cego, ela verá como poucos já conseguiram ver a minha obra. Eu permitir-lhe-ei ver claramente coisas como ignorância, crueldade, preconceito e ajudarei-a sempre a superar tudo. Eu estarei a seu lado a cada minuto da sua vida, porque ela vai estar a trabalhar comigo.
 
– Bom – disse o Anjo – e quem o Senhor está a pensar mandar como Anjo da Guarda? Deus, sorriu e disse:
 
Dê-lhe um espelho. É o suficiente.”
 
(Autor desconhecido)
10 de outubro de 2015 Comments

Professor monta banda com alunos surdos - BANDA DO SILÊNCIO

Fabio e sua Banda do Silêncio na Zona Norte de São Paulo / Léo Martins / Diário SP
Por: Caio Colagrande
caio.castro@diariosp.com.br
10/08/2015
 
Há dez anos, Fabio Bonvenuto, professor de música da rede municipal, recebeu uma missão que poderia parecer ingrata: ensinar jovens surdos a tocar instrumentos em uma fanfarra. Uma década depois, ele se orgulha de olhar para a Banda do Silêncio e ver ouvintes e deficientes auditivos se apresentando  lado a lado.
 
O projeto começou em 2005, quando 12 alunos da Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Madre Lucie Bray, no Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, pediram à direção para terem aulas de músicas. “Já havia trabalhado antes com cegos, mas com surdos, nunca. Vim sem saber nada de libras (língua brasileira de sinais)”, lembra Bonvenuto.
 
Por não existir uma linguagem universal para surdos na música, o professor se viu obrigado a improvisar. “Adaptamos a regência. A nota semibreve, por exemplo, se diz ‘redonda’ em espanhol. Então, uso com os alunos o sinal de redondo em libras quando quero essa nota.”
 
O músico decidiu juntar alunos ouvintes da outra escola onde dava aula com os surdos da Madre Lucie Bray. As duas turmas integraram-se bem.
 
“Muitos dos surdos ensinam as libras para os ouvintes. Quando viajam para apresentação, formam grupos e andam todos juntos, protegendo-se. Todos ganharam com isso”, disse. “Por mais simples que seja a participação do aluno surdo, é sempre possível inseri-lo no grupo. Ele percebe a sua importância.”
 
Coroando o trabalho, em 2013 a Banda do Silêncio foi convidada para se apresentar em um festival por várias cidades de Portugal. “É possível fazer inclusão por meio da música. Mas só acontece porque não participam só surdos.”
 
APRENDIZADO/ Para o tecladista João Marcelo Gomes Bortoleto, 16 anos, a convivência com os surdos ajudou a mudar sua visão de mundo. “Nunca havia tido contato com eles antes da banda, não conseguia entendê-los. Hoje já sei responder a algumas perguntas e tento ajudar quando posso qualquer pessoa com deficiência. Se para mim existem situações difíceis, para eles deve ser mais complicado ainda.”
 
Emily Vieira, 13, que participou da viagem para Portugal, conta como se sente quando toca o seu instrumento favorito, o trompete. "Quando subo ao palco e vejo as pessoas assistindo, as famílias, fico emocionada. Mas preciso ter paciência e muita calma. E quando vêm as palmas, fico muito contente."
 
Já o percussionista João Vitor, 14, disse que as dificuldades da surdez não tiraram sua vontade de aprender a tocar tambor. Tanta  dedicação lhe rendeu um prêmio em 2014, durante uma competição. “Gosto do contato com os meus amigos. Depois de entrar na banda, decidi que vou trabalhar no mundo da música. Eu me esforço demais para aprender e fico muito feliz com essas vitórias na vida.”



 
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Musical estrelado por crianças com autismo

MUSICAL DE AUTISTAS É FANTASTICO, CONFIRA!!!


26 de setembro de 2015 Comments

26 de Setembro - Dia Nacional do Surdo



21 de setembro de 2015 Comments

DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

O DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA em Petrópolis foi assim:
 
Por Gilda Beatriz

"Amigos, estivemos reunidos nesta segunda-feira, 21/09, realizando nosso trabalho, também importante, de informação e conscientização social. Levamos ao conhecimento das pessoas informações a respeito dos direitos das pessoas com deficiência. O coral dos Anjos, como sempre roubou a cena e nos emocionou profundamente. Foi ótimo."
 




 
20 de setembro de 2015 Comments

Lançamento do livro PEDAGOGIA HOSPITALAR amanhã, dia 21/09, na UERJ


22 de agosto de 2015 Comments

ONU cria novo símbolo para acessibilidade

Batizada de ‘A Acessibilidade’ (The Accessibility), logomarca foi desenvolvida para aumentar a consciência sobre o universo da pessoa com deficiência.
‘A Acessibilidade’ (The Accessibility). Imagem: Reprodução
Uma figura simétrica conectada por quatro pontos a um círculo, representando a harmonia entre o ser humano e a sociedade, e com os braços abertos, simbolizando a inclusão de pessoas com todas as habilidades, em todos os lugares.
 
Batizada de ‘A Acessibilidade’ (The Accessibility), a logomarca foi criada pelo Departamento de Informações Públicas da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para aumentar a consciência sobre o universo da pessoa com deficiência. A ideia é usar o símbolo em produtos e locais acessíveis.
Imagem: Reprodução
Segundo a ONU, o logotipo foi selecionado pelo Focus Groups on Accessibility, em conjunto com a Inter-Departmental Task Force on Accessibility at the United Nations Secretariat. Simboliza a esperança e a igualdade de acesso para todos.
 
“O símbolo é neutro e imparcial. Sua utilização não implica em um endosso da Organização das Nações Unidas ou do Secretariado das Nações Unidas”, explica a ONU.
 
 
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Dia do EDUCADOR ESPECIAL - 22 de agosto


1 de agosto de 2015 Comments

Cegos e cadeirantes são estrelas de peça da Oficina dos Menestréis

 
Inclusão no palco: elenco da peça Aldeia dos Ventos – Mix da Oficina dos Menestréis – Foto: Divulgação
 
Por MIGUEL ARCANJO PRADO
 
O teatro precisa ser uma arte para incluir e abarcar todas as diversidades possíveis.
 
Apostando nisso há um bom tempo, Deto Montenegro dirige em sua Oficina dos Menestréis a peça Aldeia dos Ventos – Mix.
 
A obra musical escrita por Oswaldo Montenegro entra em cartaz neste sábado (1º) no Teatro Dias Gomes (r. Domingo de Morais, 348, metrô Ana Rosa), em São Paulo.
 
Nela, as principais estrelas são 22 atores cadeirantes ou deficientes visuais.
 
“Os cegos são as pernas dos cadeirantes e esses, a visão dos cegos”, diz o diretor.
 
As apresentações vão até 16 de agosto, sempre sábado, 21h, e domingo, 20h. O ingresso custa R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada.

 
Há 12 anos Oficina dos Menestréis faz teatro de uma forma especial –
Foto: Divulgação
 
Projeto existe há 12 anos
 
Montenegro conta que passou a trabalhar com teatro para deficientes físicos quando uma amiga ficou paraplégica e fazia tratamento em Brasília, onde trabalhava em um projeto universitário.
 
Por conta dela, adaptou seu treinamento artístico para um grupo de deficientes e tornou-se pioneiro em fazer teatro musical com este público. A primeira montagem com o grupo especial foi o musical Noturno, que ganhou o codinome Noturno Cadeirante. O projeto completa 12 anos em 2015. Foi por conta deste sucesso que surgiu o Mix Menestréis, com cadeirantes e deficientes visuais unidos em uma mesma obra.
 
Na mesma pegada de utilizar a diversidade como propulsor artístico, ainda há o projeto Juntos, com jovens em situação de risco, Maturidade, com atores com mais de 50 anos, Aut, com artistas autistas e o UP, com jovens com Síndrome de Down. Os projetos recebem apoio do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet.
 
A Oficina dos Menestréis existe desde 1981, sob comando dos irmãos Deto e Oswaldo Montenegro em parceria com Marcos André Brandão, o Candé.
 
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7º Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência

O Ministério da Cultura juntamente com o Banco do Brasil apresentam a 7° edição do Festival Assim Vivemos. Este ano conta com diversos filmes sobre deficiência e o melhor, a entrada é franca. Confiram a programação clicando no site, abaixo:
 
 
"O grande tema deste ano, que norteia a maior parte dos filmes, é a autonomia, a possibilidade de uma vida com independência. Este assunto surge como o grande objetivo, o grande desejo, o grande sonho, e os filmes do Assim Vivemos, em seu conjunto, nos trazem um belo repertório de experiências, dificuldades e conquistas neste sentido.
 
Nesta 7a edição, serão exibidos 33 filmes de 20 países. O Brasil se destaca com sete filmes selecionados, com filmes do sul, sudeste, centro-oeste e nordeste, numa demonstração de que a reflexão sobre o tema tem merecido cada vez mais atenção da nossa sociedade.
 
O Assim Vivemos tem a honra de ser o primeiro festival de cinema no Brasil a oferecer acessibilidade para pessoas com deficiência visual (audiodescrição em todas as sessões e catálogos em Braile) e para pessoas com deficiência auditiva (legendas Closed Caption nos filmes e interpretação em LIBRAS nos debates). Quanto à acessibilidade física, o Centro Cultural Banco do Brasil tem sua arquitetura concebida para garantir o acesso de pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes.
 
Todas as sessões terão ENTRADA FRANCA."
 
29 de julho de 2015 Comments

Síndrome de Irlen - Tratamentos Possíveis

A identificação da Síndrome de Irlen é feita por profissionais da saúde e educação devidamente capacitados a identificar (teste de screening ou rastreamento) os portadores da mesma, através da aplicação de um protocolo padronizado conhecido como Método Irlen, e classificar o grau de intensidade das dificuldades visuoperceptuais dos casos suspeitos. O teste de screening é feito após avaliação da acuidade visual e sob correção refracional atualizada, quando necessária. Pelo teste verificamos os benefícios, com a supressão das distorções visuais, pela interposição de uma ou mais transparências coloridas selecionadas individualmente pelo portador da Síndrome de Irlen.
 
Aplicação do Método Irlen onde ocorre a indução de estresse em atividades com alta demanda “visuoatencional” e posterior supressão após a sobreposição de uma lâmina colorida individualmente selecionada. Uma vez determinada a transparência ideal o portador passa a usá-la sobre o texto durante a leitura ou cobrindo a tela do computador enquanto lê, obtendo benefícios imediatos no conforto visual, fluência e compreensão.
 
 
A neutralização das distorções facilitará o reconhecimento das palavras lidas, mas obviamente não permitirá que a pessoa leia palavras que não sabe. Para estes indivíduos, a leitura sempre foi sinônimo de dificuldade e a rejeição tornou-se um habito incorporado – é preciso considerar que pode haver anos de atraso em relação aos leitores regulares que puderam adquirir um substancial vocabulário visual de reconhecimento instantâneo. Obviamente, o aprendizado das palavras será facilitado por não mais se apresentarem distorcidas – mas a assistência ao aprendizado será importante e sem ela a leitura permanecerá sendo uma atividade difícil e estressante.
 
Do mesmo modo, o uso de filtros não será o único fator necessário para o aperfeiçoamento no desempenho da leitura, porém nos casos de Síndrome de Irlen a opção pelo tratamento significará um recurso não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, possibilitando a seus usuários uma potencialização dos benefícios aferidos aos seus esforços acadêmicos e profissionais, além de facilitar o trabalho da equipe multidisciplinar que os assistem.
 
É interessante observar que a boa parte dos portadores não tem consciência de suas distorções à leitura, como estas aparecem após um tempo médio de 10 a 15 minutos de leitura, eles pressupõem que isto ocorra a todos – sem se dar conta de que a dificuldade é só deles – e mais ainda se estiverem sob excesso de luzes fluorescentes, contraste, cores fortes, muito volume de texto por pagina, letras menores e impressão em papel brilhante. O mais preocupante é que esta é exatamente a situação em que se aplica a prova do ENEM – centenas de estudantes com Síndrome de Irlen não identificada terão seu desempenho prejudicado pelo estresse visual e hipersensibilidade à luz, cansaço progressivo e dificuldade em manter a atenção por tempo prolongado, com erros na transferência de gabaritos e falta de compreensão por déficits na eficiência visual.
 
 
 
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Síndrome de Irlen

 
A Síndrome de Irlen (S.I.) é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A Síndrome tem caráter familiar, com um ou ambos os pais também portadores em graus e intensidades variáveis. Suas manifestações são mais evidentes nos períodos de maior demanda de atenção visual, como nas atividades acadêmicas e profissionais que envolvem leitura por tempo prolongado, seja com material impresso ou computador.
 
A caracterização desta síndrome foi feita pela psicóloga Helen Irlen, com um estudo prospectivo envolvendo centenas de adultos considerados analfabetos funcionais pela leitura deficiente e baixa escolaridade. O estudo, aprovado e financiado pelo Governo Federal Americano, foi apresentado perante a Associação Americana de Psicologia em Agosto de 1983.
 
A pesquisadora concentrou seus estudos nos sintomas “visuais” que estes adultos apresentavam, denominando-os de Síndrome da Sensibilidade Escotópica – fazendo alusão ao escuro – devido à preferência por locais menos iluminados durante tarefas com maior exigência visual. Além da fotofobia, cinco outras manifestações podiam estar presentes: problemas na resolução viso-espacial, restrição de alcance focal, dificuldades na manutenção do foco e astenopia e na percepção de profundidade.
 
A fotofobia geralmente se manifesta através de queixas de brilho ou reflexo do papel branco, que compete com o texto impresso e desvia a atenção do conteúdo a ser lido, comprometendo a atenção.
Luzes fluorescentes são particularmente desconfortáveis e geram irritabilidade. Até mesmo a luz solar direta, faróis de carros e postes à noite causam incomodo aos portadores da SI e cefaléias por essa exposição. Em muitos casos, há hábito de uso constante de óculos de sol.
 
As alterações da habilidade de resolução viso-espacial produzem sensação de desfocamento e de movimentação das letras que pulsam, tremem, vibram, aglomeram-se ou desaparecem, impactando na atenção e compreensão do texto que esta sendo lido. As distorções à leitura foram também objeto de relatos por parte de outros autores como Meares (1980), Whiting (1985) e Robinson & Miles (1987) 4,5,6. 
 
A restrição do foco limita a abrangência visual e reduz o número de letras apreendidas fazendo com que palavras sejam vistas parceladamente, o que requer uma segunda etapa associativa para coerência e compreensão. A restrição no alcance focal pode ainda causar dificuldades na organização do texto em segmentos significativos ou porções sintáticas, sendo esta uma característica presente em leitores deficientes. Em geral, bons leitores ampliam progressivamente o campo de visão, passando a reconhecer as palavras familiares pelo conjunto ou lexicalmente de forma a registrar as pistas visuais necessárias para uma interpretação rápida e correta do significado do texto naquele ponto.
 
As dificuldades na manutenção da atenção do foco, pelo fato do texto impresso apresentar-se menos nítido ou desfocado após um intervalo variável em leitura, produz estresse visual ou astenopia.
 
A astenopia, sempre presente em intensidade variável, se caracteriza pelo desconforto visual associado à sensação de ardência e ressecamento ocular, aumento da necessidade de piscar, olhos vermelhos e lacrimejantes, necessidade de coçar e apertar os olhos, com mudanças na posição e distância da cabeça até o papel impresso, sonolência e busca de pausas para “descanso visual”.
 
As dificuldades com percepção de profundidade, habilidade que possibilita a correta avaliação tridimensional, tem impacto direto em atividades como dirigir, estacionar, prática de esportes com bola, de movimento em geral, descer e subir escadas, atravessar portas, passarelas, usar escadas rolantes entre muitas outras situações cotidianas, nas quais a antecipação visual constitui fator de segurança e rapidez de ajuste ao ambiente.
 
Os sintomas físicos da S.I. são essencialmente oculares, ocorrendo lacrimejamento, prurido e ardência ocular, tendência à esfregar os olhos e/ou tampar/fazer sombra enquanto lê, apertar e/ou piscar os olhos excessivamente, balançar ou tombar a cabeça, sensação de cansaço após 10 a 15 minutos de leitura – que é feita preferencialmente na penumbra – além de história familiar de dificuldades com leitura e fotofobia.
 
A prevalência é alta, pois atinge de 12-14% da população em geral, incluindo bons leitores e universitários e torna-se proporcionalmente mais frequente quando há concomitância com déficits de atenção e Dislexia (33 a 46% dos casos). Estudo recente, realizado em escola municipal da rede pública em Belo Horizonte, detectou ainda uma incidência de 17% entre alunos com dificuldade de leitura.
 
Atualmente estão sendo revistas as relações entre as lesões pós-traumáticas, envolvendo o cérebro, e os comprometimentos secundários da eficiência visual com exacerbação da fotossensibilidade e déficits na oculomotricidade, gerando impactos na leitura, aprendizagem, memória e estabilidade emocional. Sabe-se que também podem ocorrer na Dislexia, Déficits de Atenção e Hiperatividade, no Autismo e durante o uso de certos medicamentos. Como os sintomas são semelhantes, o diagnóstico diferencial é indispensável para que a conduta ideal seja adotada o mais precocemente possível, uma vez que a intervenção gera benefícios nas outras áreas do processamento, como as auditivas, motoras e cognitivas.
 
São sintomas comuns: a confusão entre os números, percepção de distorções visuais em páginas de texto, leitura de palavras de baixo para cima e inversão de letras e palavras, espaçamento irregular, dificuldades em manter-se na linha ao escrever, lentidão e baixa compreensão. Entretanto inexistem outros aspectos que facilitarão na condução de um diagnóstico diferencial satisfatório. Na Síndrome de Irlen, ao contrário da Dislexia, estarão ausentes as alterações na percepção auditiva, escrita invertida, pronuncia incorreta, dificuldade na aquisição da fala e escrita, escrita espelhada e déficits na compreensão de ordens verbais, cuja intervenção será supervisionada por fonoaudiólogos. Do mesmo modo, a prolixidade, impulsividade, falta de autocontrole pessoal ou em grupo, agitação e hiperatividade física são componentes dos quadros de déficits de atenção e hiperatividade e a intervenção medicamentosa, quando recomendada, será feita pelo neurologista responsável pela coordenação destes atendimentos multidisciplinares.
 
Sejam em comorbidade, ou isoladamente, estes distúrbios provocam uma série de manifestações semelhantes e por isto, diversos autores preconizam o rastreamento da Síndrome de Irlen em crianças com dificuldades na leitura, fotossensibilidade e manutenção da atenção aos esforços visuais prolongados, como uma forma de evitar diagnósticos equivocados de Dislexia, DTA e TDAH e ainda para minimizar a medicação em pacientes onde a agitação e desatenção são resultantes do estresse visual e dificuldade em se ajustar às condições de luminância de uma sala de aula, por exemplo.
 
A identificação da Síndrome é feita por profissionais da saúde e educação devidamente capacitados a identificar (teste de screening ou rastreamento) os portadores da síndrome, através da aplicação de um protocolo padronizado conhecido como Método Irlen, e classificar o grau de intensidade das dificuldades visuoperceptuais dos casos suspeitos9. O teste de screening é feito após avaliação da acuidade visual e sob correção refracional atualizada, quando necessária. Pelo screening verificamos os benefícios, com a supressão das distorções visuais, pela interposição de uma ou mais transparências coloridas selecionadas individualmente pelo portador da Síndrome de Irlen.
 
Aplicação do Método Irlen onde ocorre a indução de estresse em atividades com alta demanda “visuoatencional” e posterior supressão após a sobreposição de uma lâmina colorida individualmente selecionada. Uma vez determinada a transparência ideal o portador passa a usá-la sobre o texto durante a leitura ou cobrindo a tela do computador enquanto lê, obtendo benefícios imediatos no conforto visual, fluência e compreensão.
 
A neutralização das distorções facilitará o reconhecimento das palavras lidas, mas obviamente não permitirá que a pessoa leia palavras que não sabe. Para estes indivíduos, a leitura sempre foi sinônimo de dificuldade e a rejeição tornou-se um habito incorporado – é preciso considerar que pode haver anos de atraso em relação aos leitores regulares que puderam adquirir um substancial vocabulário visual de reconhecimento instantâneo. Obviamente, o aprendizado das palavras será facilitado por não mais se apresentarem distorcidas – mas a assistência ao aprendizado será importante e sem ela a leitura permanecerá sendo uma atividade difícil e estressante.
 
Do mesmo modo, o uso de filtros não será o único fator necessário para o aperfeiçoamento no desempenho da leitura, porém nos casos de Síndrome de Irlen a opção pelo tratamento significará um recurso não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, possibilitando a seus usuários uma potencialização dos benefícios aferidos aos seus esforços acadêmicos e profissionais, além de facilitar o trabalho da equipe multidisciplinar que os assistem.
 
É interessante observar que a boa parte dos portadores não tem consciência de suas distorções à leitura, como estas aparecem após um tempo médio de 10 a 15 minutos de leitura, eles pressupõem que isto ocorra a todos – sem se dar conta de que a dificuldade é só deles – e mais ainda se estiverem sob excesso de luzes fluorescentes, contraste, cores fortes, muito volume de texto por pagina, letras menores e impressão em papel brilhante. O mais preocupante é que esta é exatamente a situação em que se aplica a prova do ENEM – centenas de estudantes com Síndrome de Irlen não identificada terão seu desempenho prejudicado pelo estresse visual e hipersensibilidade à luz, cansaço progressivo e dificuldade em manter a atenção por tempo prolongado, com erros na transferência de gabaritos e falta de compreensão por déficits na eficiência visual.
 
Classicamente, os profissionais envolvidos com a triagem, diagnóstico e tratamento dos Distúrbios de Aprendizagem são os psicólogos, neurologistas, fonoaudiólogos, psiquiatras e pedagogos, cabendo ao oftalmologista a identificação e tratamento dos distúrbios visuais, um papel incorretamente considerado secundário neste trabalho multidisciplinar.
 
Tradicionalmente o oftalmologista concentra sua atenção na aferição da acuidade visual, correção refracional quando necessária, e identificação de patologias (catarata, glaucoma, estrabismo, etc). Porém a visão é o sentido mais importante na aprendizagem, com uma dependência estimada em 80% até os 12 anos de idade, e os impactos dos déficits neurovisuais são sempre significativos, e, no entanto a sua identificação pelo exame oftalmológico padrão seria insuficiente, pois o oftalmologista atual privilegia a acuidade da visão e fatores ligados ao trabalho ocular, além de condições ópticas. Mal comparando, seria como avaliar o computador (hardware), quando o paciente possui déficits no processamento visual cerebral (software).
 
É relevante assinalar que o “conceito de visão” que o oftalmologista possui determinará a forma como aborda as queixas e sintomas visuais dos pacientes com distúrbios de aprendizagem. As conclusões geradas de seus exames e a forma como investiga as relações entre elas dependerão não apenas do tipo de exame realizado, mas também de seu conhecimento clínico na área específica, das queixas fundamentais, do direcionamento de sua anamnese e ainda de sua capacidade de interação com os demais profissionais da área de saúde e educação, com os quais passará a se relacionar não mais de forma passiva, mas como interventor e facilitador das decisões trans e multidisciplinares que afetarão o futuro escolar desta população.
 
Artigo publicado na Revista Síndromes – Revista Multidisciplinar de Desenvolvimento Humano – Dezembro de 2011.
 
Autora: Dra Márcia Guimarães.
 
Referências:
 
1 – Irlen H. The Irlen Revolution. New York, Square One Publishers, 2010.
2 – Irlen H. Reading by the colors. New York, The Berkley Publishing Group, 1991.
3 – Guimarães MR, Guimarães JR, Guimarães R et all. Selective spectral fiulters in the treatment of visually induced headaches and migraines: a clinical study of 93 patients. T 29. Headche Medicine, 1 (2): 72, 2010.
4 – Meares,O. Figure/ground, brightness contrast, and reading disabilities. Visible Language,14,13-29, 1980.
5 – Whiting,P.R. How difficult can reading be? New insight into reading problems. J.Eng.Teach.Assoc. 49,49-55. 1985.
6 – Robinson ,G.L. and Miles,J. The use of colored overlays to improve visual processing – a preliminary survey. The Except.Child. 34, 65-70.1987.
7 – Faria L N. Frequência da Sindrome de Meares-Irlen entre alunos com dificuldades de leitura observadas no contexto escolar. [Tese Mestrado]. Belo Horizonte:Universidade Federal de Minas Gerais, 2011.
8 – Tallal P. Auditory temporal perception, phonics and reading disabilities in children. Brain Lang, 9(2): 182-98, 1980.
9 – Guimarães MR. Distúrbios de Aprendizado Relacionados à Visão. Rev Fund Guimarães Rosa. 3(4): 16-9, 2009.
10 – Ventura, LO; Travassos, SB; Da Silva, OA; Dolan, MA. Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem. Rio de Janeiro, Cultura Médica, Cap.18 p.159-174, 2011.
 
28 de julho de 2015 Comments

Pedagogia Hospitalar: Atuação do novo pedagogo

 
Artigo escrito por Ana Carolina Cardoso e Sheila Rocha Bandeira.

 
Este artigo aborda o papel do pedagogo em instituições não escolares – no caso, hospitais - a partir de uma breve contextualização e de seu papel nos dias atuais. É uma apresentação objetiva e simples que teve como base pesquisas na internet sobre pedagogia hospitalar. Apesar da grande quantidade de fontes para a pesquisa o foco foi dado aos artigos de Wolf e Esteves. Para isso, abordamos o surgimento da Classe Hospitalar e a atuação dos pedagogos neste ambiente nos dias de hoje.
 
Esse estudo nos serviu para compreender como a pedagogia pode ser eficaz em diferentes ambientes, pois existem diversos lugares que necessitam de auxílio não só médico, mas de auxílio educativo.
 
Segundo ESTEVES, com a Segunda – Guerra Mundial há o aparecimento de crianças e adolescentes mutiladas e atingidas pela guerra de alguma forma. Por essa razão, em 1935, Henri Sellier cria a Classe Hospitalar com o objetivo de amenizar as dificuldades destes indivíduos em relação à educação.
 
Em 1939, o cargo de Professor Hospitalar surge com o Ministério da Educação na França. O seu objetivo é mostrar que o espaço educativo não se restringe somente ao ambiente escolar, mas a educação pode chegar à lugares antes não viáveis.
 
Até hoje muitos profissionais defendem a criação de Classes Hospitalares, especialmente os médicos, pois sabem que o seu envolvimento com o paciente, através de intervenções e outros tipos de atividades, irá contribuir para a sua melhora (em relação à doença) e o seu contínuo desenvolvimento educativo.
 
A escola, enquanto espaço de socialização de indivíduos, repentinamente deixa de existir para crianças e adolescentes que possuem alguma deficiência ou são acometidos por alguma doença grave e são obrigados a passar grandes temporadas de internamento em hospitais, passando a conviver com o isolamento, privado de amigos e às vezes até mesmo esquecido por seus parentes. Por esse motivo se vê privado de sua escolaridade, necessitando de um atendimento educacional que lhe permita manter-se aprendendo, sem ruptura com o processo de educação.
 
Para WOLF, o serviço hospitalar, tradicionalmente, foi o espaço de atuação exclusiva dos profissionais da área da saúde. No entanto, a partir de meados do século XX, o pedagogo pôde atuar em diversas áreas, de forma terapêutica e educacional, passando a estabelecer vínculos que se estabelecem na relação ensinar e aprender, proporcionando uma melhoria de ensino para crianças que necessitam de atendimento especial em ambientes não convencionais, como a escola.
 
A diversidade já se inicia na Universidade, na formação, quando os diferentes tipos de ciências encontram-se nos mais variados ambientes. Essa prática transdisciplinar traz para o paciente tudo que há de mais avançado e a melhor maneira de ter o indivíduo como sujeito inteiro, não só uma parte dele.
 
Com o intuito de haver uma melhor qualidade de vida para os pacientes em período escolar, a Pedagogia Hospitalar utiliza a visão humanística, olhando o ser como todo, com sua singularidade e sua subjetividade, e não apenas um sintoma ou uma doença aparente. Por isso, faz-se necessário a melhor capacitação profissional, além de uma melhor estrutura para realizá-la.
 
Sentimentos como medo e ansiedade são típicos em jovens e crianças em processo hospitalar, mas a pedagogia hospitalar com profissionais qualificados atenderá os pacientes de forma a desenvolver as condições necessárias e adequadas para cada jovem e para cada criança.
 
Wolf diz que os pedagogos hospitalares têm como funções: atuar nas unidades de internação, na ala de recreação e no ambulatório, buscando atender de forma humanística o paciente e a sua família – que também recebe o auxílio dos profissionais que ali atuam.
 
As principais atuações do pedagogo são atividades lúdicas - que agem como forma de estratégias para a motivação e recuperação do paciente no hospital – com jogos, dramatizações, pinturas e desenhos.
 
O pedagogo atualmente é um novo profissional, pois deve ser preparado não só para o ambiente escolar, mas para diversos outros, como por exemplo, o ambiente hospitalar. Para isso, é necessário – também - um mínimo de sensibilidade, pois não haverá apenas um sintoma, uma patologia, uma doença, mas haverá um ser humano em desenvolvimento emocional, afetivo e cognitivo, que precisa de uma orientação escolar no período em que se encontra enfermo ou que se recupera de algum tipo de doença.
 
A Pedagogia Hospitalar abrange não só o momento em que o indivíduo requer cuidados médicos, mas requer também cuidados afetivos, além das atividades escolares que são imprescindíveis e necessárias a qualquer jovem e criança.
 
Pudemos perceber, também, que o pedagogo é um novo profissional em busca da integração escolar seja qual for o ambiente. Favorecendo ao bem – estar social e a melhor qualidade de vida dos pacientes que em algum momento necessitam de auxílio de profissionais das mais diversas áreas.

Bibliografia:
ESTEVES. Cláudia R. Pedagogia Hospitalar: um breve histórico. Em: http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educacao-saude/classes-hospitalares/WEBARTIGOS/pedagogia%20hospitalar....pdf
Dia de acesso: 24 de janeiro de 2010 às 18h39.

WOLF, Rosângela Abreu do Prado. Pedagogia Hospitalar: a prática do pedagogo em instituição não-escolar. Em: http://www.uepg.br/revistaconexao/revista/edicao03/artigo11.pdf
Dia de acesso: 24 de janeiro de 2010 às 19h30.
 
27 de julho de 2015 Comments

A CRIANÇA QUE NÃO FALA: MUTISMO SELETIVO

 
O mutismo seletivo pode ser compreendido como um medo inadequado de falar fluente e espontaneamente, que surge particularmente em contextos fora de casa e que pode se prolongar até à fase da adolescência. Para os especialistas da saúde mental o mutismo seletivo surge como uma perturbação de ansiedade na infância.
 
Normalmente acontece nas crianças mais pequenas, por volta dos 3 anos de idade, embora as queixas se acentuem mais no final do pré-escolar e inicio do 1º ciclo. As meninas  são mais propensas a apresentarem este problema comparativamente com os meninos, estimando-se uma prevalência inferior a 1% em idade escolar. É nesta idade mais precoce que as crianças são mais renitentes em estabelecer contato e a relacionarem-se com pessoas estranhas. Na realidade estas crianças não apresentam nenhuma perturbação da linguagem, nenhum atraso cognitivo ou alterações profundas de desenvolvimento, a não ser este medo/ansiedade que gera nelas o silêncio perante estranhos ou junto de pessoas com as quais não se sentem à vontade.
 
Este problema psicológico interfere na realização escolar e/ou ocupacional e/ou na comunicação social, estando presente no mínimo há 1 mês e não coincidindo com o primeiro mês de escolarização, pois a entrada para o jardim-de-infância ou 1º ciclo surge como uma das primeiras mudanças contextuais significativas na vida das crianças, onde estas são obrigadas a contactar com estranhos. É nesta altura que o mutismo seletivo se pode desencadear ou exacerbar, pois quando as crianças não participarem nas atividades e existe uma ausência de interação grupal, torna-se notória e prejudicial esta sua dificuldade de adaptabilidade ao contexto escolar, colocando pais, educadores e professores em alerta.                
 
O desejado é que após a fase de integração, em que todas as crianças se sentem inseguras e desconfiadas, ganhem confiança nelas próprias e comecem a estabelecer vínculos afetivos com as pessoas que as rodeiam (p.e outras crianças, educadora/professora), permitindo assim que as suas reservas prévias desapareçam. Mas, quando este silêncio se prolongando tempo e se generaliza à maior parte das pessoas, com exceção, da família, deixa de ser um comportamento adaptativo, colocando em questão a integridade física e mental da criança, pelo fato de esta se deixar vencer por este seu medo. Este comportamento desadaptativo, na maior parte das vezes, conduz a dificuldades nas relações sociais, o que por sua vez, gera uma baixa auto-estima nas crianças; dificuldades a nível do rendimento escolar, uma vez que grande parte dos professores e educadores se queixam de não conseguirem avaliar corretamente estas crianças, pois mesmo conhecendo as suas capacidades cognitivas, a informação que dispõem não é suficiente, comparativamente com as restantes crianças da sua sala; e inclusive, ao nível da sua saúde física, isto porque, em grande parte das vezes, muitas destas crianças não conseguem expressar ao adulto as suas necessidades mais básicas(p.e ir à casa de banho, ter fome, o ter caído e se magoado). É um problema transitório, mas se a criança não receber um tratamento a tempo e eficaz, no futuro este problema pode levar a uma diminuição do desejo e vontade de estar na escola, podendo conduzir ao abandono e insucesso escolar, a consumos de medicação ou drogas, ideias suicidas, depressão, fobia social, entre outros.
 
Estas crianças caracterizam-se por serem crianças tímidas, retraídas, socialmente inseguras, por norma dependentes, com excessiva rigidez e perfeccionistas. Quando comunicam, na maioria das ocasiões fazem-no através de gestos (p.e acenando a cabeça) e quando usam a fala, fazem por vezes com que o volume da sua voz seja muito baixo, limitando-se outras a apenas sussurrar ao ouvido. Evitam o olhar (p.e olham para o chão), escondem-se através dos objetos ou das figuras parentais, sendo as suas intervenções muito breves e curtas, tentando sempre evitar/escapar a todas as situações sociais em que se sintam expostas (p.e demorarem muito tempo na casa de banho ou a vestirem-se de modo a evitarem ir a algum lugar) como forma de alívio ao mal-estar produzido pelas suas respostas de ansiedade perante tal situação.
 
Ao falar-se deste problema que afeta algumas das nossas crianças e que preocupa os pais e educadores/professores, pelas consequências a longo prazo que daqui podem advir, é necessário distinguir as crianças que têm uma grande aversão em falar, pois para estas é muito difícil falar em determinadas situações, das crianças que acham que não podem falar em certas situações (chamado mutismo seletivo), das crianças que acham que não podem falar em qualquer situação (mutismo progressivo ou total). No entanto estas últimas são crianças que deixam mesmo de estabelecer comunicações orais, por mais curtas que sejam, mesmo com as pessoas mais íntimas, levando assim à deterioração das suas relações interpessoais e consequentemente, ao isolamento social. Em todas estas formas, o medo e a ansiedade encontram-se presentes, conduzindo a um comportamento desadaptativo.
 
A aprendizagem deste medo desproporcionado de falar nas crianças, tem em muito a ver com o comportamento dos adultos que as rodeiam. As altas expectativas em relação às crianças, a punição, a correção de todas as suas falhas e, até mesmo, a existência de algum familiar com um problema idêntico, são algumas das razões que podem contribuir para o desenvolver deste problema psicológico.
 
De um modo geral, este medo de falar gera nas crianças, alterações corporais, tais como, o aumento da sudação, da tensão muscular, do ritmo respiratório e da pulsação cardíaca. Depois, quando a criança consegue evitar ou fugir, podem surgir as dores de cabeça, de barriga e o ir várias vezes à casa de banho. Por outro lado, alterações comportamentais, como roer as unhas, levar os dedos ou parte do seu vestuário à boca, balançar as pernas ou o corpo, tiques, entre outras, são alterações que também dai podem advir. Este medo é igualmente causador de um grande sofrimento emocional e pessoal e por isso, estas crianças necessitam de ajuda especializada para que este silêncio como resposta não faça parte do seu reportório vivencial.
 
Muitas das vezes, com o passar dos dias, dos meses e até mesmo dos anos, este problema começa a agudizar-se, não sabendo as escolas e os pais como o solucionar. Nessa altura surge a necessidade de uma intervenção especializada que permita a modificação das respostas fisiológicas e cognitivas desencadeadas, sendo que a criança é uma das primeiras a querer ver este problema resolvido, pois estão motivadas para fazerem amigos e terem sucesso nas aprendizagens. No entanto não se trata de um comportamento voluntário ou de uma birra, como muitos poderão pensar. São sobretudo crianças que se deixam vencer por este medo, que as obriga a tornarem-se”seres silenciosos”, num mundo cheio de ruídos do qual também elas fazem parte.
 
O procurar de ajuda psicológica, surge como uma nova situação que irá desencadear na criança medo de falar, mas a utilização de várias técnicas cognitivo-comportamentais permitirão em articulação com a família e a escola, o seu superar. Em alguns dos casos uma abordagem farmacológica pode ajudar a diminuir os seus níveis de ansiedade.
 
Sugestões aos pais:

  • Estimular a comunicação do seu filho desde muito pequeno, de preferência quando a criança começar a falar, para este aprender a expressar-se em diferentes situações sociais, sabendo onde, como e com quem o deve fazer.
  • Ensinar pequenas tarefas de responsabilidade (p.e vestir-se, lavar os dentes, por a mesa, arrumar o quarto, entre outras).
  • Evitar o uso de expressões depreciativas (“não tens vergonha; és sempre o mesmo; nunca falas”).
  • Evitar, na presença da criança ou em locais que esta possa escutar, falar do seu problema com outras pessoas.
  • Não obrigar a criança a falar quando esta se recusa.
  • Não se zangar ou castigar por esta se negar a falar.
  • Não criar metas dificilmente atingíveis pela criança.
  • Não a obrigar a cumprimentar uma pessoa ou a aproximar-se desta ou de um local que ela própria não deseja.
  • Evitar situações em que a criança apenas comunique falando ao ouvido, dizendo”não te oiço”,”não percebo o que me dizes” de modo a estimular a sua comunicação oral.
  • Atribuir-lhe tarefas em diferentes situações sociais (p.e ir pedir um gelado ao Sr. do café).
  • Manter sempre a calma quando o seu filho tem demonstrações desadequadas de falar.
  • Convidar amigos ou familiares para frequentarem com maior regularidade a sua casa.
  • Programar saídas, onde estejam envolvidas outras pessoas que sejam estranhas para a criança.
  • Permitir a inserção em outras atividades grupais extra-curriculares.
  • Ser paciente e quando o seu filho falar, não termine as suas frases, de modo a evitar uma excessiva dependência.
  • Transmitir sempre tranquilidade e segurança, mas não a superproteger.
  • Ter uma boa articulação com a escola;

Aos Educadores/Professores sugere-se:

  • Deixar a criança comunicar por gestos e expressar os seus sentimentos e pensamentos através de uma folha de papel ou de cartões apenas num primeiro momento, o de estabelecer a relação, pois a partir de então começar a estimular as pequenas verbalizações (p.e sim/não) e assim sucessivamente, certificando-se sempre que a criança se sente confortável para passar ao passo seguinte.
  • Permitir o jogo lúdico, contar histórias e criá-las através de fantoches, falar com ela sobre coisas que ela goste, até conseguir gerar um clima agradável e descontraído.
  • Dar espaço para a criança decidir se quer ou não falar, utilizando expressões encorajadoras (“tens tempo, podes falar hoje ou amanha, quando tu quiseres”).
  • Não a ignorar e dar-lhe a mesma atenção que dá às outras crianças.
  • Incentivar atividades não verbais; proporcionar oportunidades para falar mas não a forçar (p.e quebra-cabeças, puzzles, jogos de tabuleiro).
  • Encorajar sempre a criança a intervir, não passando a sua vez, dando-lhe sempre a oportunidade de apresentar uma resposta/resultado final.
  • Não deixar que outra criança desempenhe as tarefas ou responda a questões na vez da criança com dificuldade em falar.
  • Incentivar a interação social, permitindo a integração destas crianças no grande grupo (turma), iniciando estas interações em pequenos grupos, de preferência com algum dos amigos com quem a criança mais se relacione, alargando progressivamente o nº dos elementos do grupo, até se chegar ao grande grupo, de forma a evitar o seu isolamento social.
  • Evitar que sejam criados rótulos depreciativos, evitando e corrigindo certas verbalizações por parte das outras crianças (“Essa é a que não fala”;”Ela só se dá com o João, mais ninguém”;”Nós já não a convidamos para brincar, ela não fala”).
  • Demonstrar a sua compreensão sempre que se aperceba que uma criança está a sofrer porque não consegue resolver a tarefa proposta, utilizando expressões encorajadoras (“Não te preocupes, aos pouco e poucos, tu irás conseguir”).
  • Contar histórias a toda a turma onde a temática seja o medo de falar e onde a personagem principal o conseguiu superar, de modo que todas as crianças compreendam este problema e percebam o que podem fazer para ajudar.
  • Reforçar positivamente e de forma individualizada, todas as intervenções faladas ou não, sendo esse reforço significativo para a criança (p.e elogios escritos, verbais).
  • Atribuir responsabilidades à criança (p.e marcar as presenças, distribuir fichas de trabalho, recolher os trabalhos elaborados).
  • Ser empático e paciente.
 
 
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