19 de julho de 2015

Autismo: um mundo de possibilidades!


 
Até bem pouco tempo raramente ouvia-se falar em autismo. Considerava-se uma disfunção muito rara. De cada 10 mil crianças, três eram acometidas.  Atualmente cientistas dizem que para cada 10 mil crianças, 60 são autistas.
 
Apesar de parecer uma epidemia, o aumento no número de casos é justificado quando estudos demonstram que o autismo sempre existiu em nossa sociedade, porém, era erroneamente confundido com outras doenças, como a esquizofrenia.
 
Juntamente com o aumento dos diagnósticos, mais informações chegam ao público.  O que é positivo e também negativo, considerando que as informações ainda não esclarecem definitivamente o que provoca o autismo.
 
Segundo Gadia (2007, p. 426) “Hoje se sabe que o autismo é um transtorno genético complexo que ainda deve ser mais esclarecido.”
 
“Autismo” é um espectro de um distúrbio. Pode acometer desde um portador grave de retardo mental, que não fala, até um matemático ou físico muito inteligente, mas isolado socialmente.
 
O diagnóstico é realizado através das evidências no comportamento do indivíduo, não havendo possibilidade de, por exemplo, ser diagnosticado através de exames laboratoriais.  O primeiro profissional que poderá auxiliar a família é o pediatra, ao escutar queixas dos pais dizendo que o filho tem pouco contato visual, está apresentando atraso no desenvolvimento da fala, não responde quando seu nome é chamado…
 
Com o diagnóstico em mãos é importante procurar profissionais das áreas da fonoaudiologia, psicopedagogia, entre outros, para o mais precocemente possível iniciar um trabalho de intervenção. Assim, muitas dessas crianças podem se tornar altamente funcionais, e quando adultas viverem com um mínimo de supervisão.
 
Não há uma receita capaz de atingir todos os indivíduos autistas. Há sim, a necessidade de ajustar a intervenção para cada um. No entanto, é sabido que a criança autista, para aprender, precisa sentir, tocar, visualizar…
 
De acordo com Sacks, (1997, p. 251): “O abstrato, o categórico, não é do interesse da pessoa autista – o concreto, o particular, o singular é tudo.”
 
O fato é que também devemos refletir sobre uma tendência que nós seres humanos temos para procurar falhas, quando há muitas possibilidades a serem descobertas. Grinker (2010, p. 296) antropólogo e pai de uma criança autista diz: “com frequência é difícil compreendermos que o que precisamos tornar visível não é a escuridão, mas a luz.”
 
Para avaliar avanços, jamais devemos comparar uma criança com outra da mesma idade, pois assim irão aparecer apenas deficiências. Agora, se compararmos a criança por ela mesma, certamente iremos descobrir um mundo de possibilidades!
 
Grinker (2010, p. 312) também nos faz refletir quando revela: “em uma família onde o autismo está presente, as expectativas são diferentes, os acontecimentos têm significados distintos e há até mesmo um tipo de felicidade diferente.”
 

REFERÊNCIAS:
 
GADIA, Carlos.  Aprendizagem e autismo. In: ROTTA, Newra Tellechea; et al. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.
 
GRINKER, Roy Richard. Autismo: um mundo obscuro e conturbado.  São Paulo: Larousse do Brasil, 2010.
 
SACKS, Oliver. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. 13. reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Fonte: Psicosol

 
 
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